Afinal, você sabe o que é Design Thinking?

A tradução literal da expressão talvez não seja muito esclarecedora, mas podemos tomar Design Thinking como sinônimo de abordagem criativa na busca pela solução de um problema.

Com efeito, a expressão é conhecida pelo menos desde a década de 1970, mas é relativamente recente a sua sistematização como abordagem de uso corrente nas empresas.

Nesse artigo, você vai conhecer mais sobre essa ferramenta tão útil nesses tempos em que tanto se fala em inovação.

O que é Design Thinking?

Em primeiro lugar, para entendermos o que é Design Thinking, devemos tratá-lo como uma abordagem e não como uma metodologia.

Mas qual é a diferença?

Enquanto metodologias sugerem fórmulas fechadas para aplicação geral, Design Thinking propõe apenas que alguns pilares sejam observados e adaptados livremente.

Design Thinking refere-se a uma abordagem para a solução de determinado problema a partir da formação de uma equipe multidisciplinar, que envolva todas as partes interessadas.

Ao envolver pessoas que trazem diferentes experiências e pontos de vista, busca-se formar o quadro mais completo possível acerca do problema a ser resolvido.

Da mesma forma, a composição heterogênea da equipe tende a apontar para diferentes e muitas vezes criativas soluções.

A abordagem do Design Thinking é aplicável a diferentes tipos de problema, não se limitando a um conhecimento técnico específico.

Além disso, ao reunir os interessados na solução do problema, o que essa abordagem faz é, essencialmente, ouvir o cliente.

Os pilares do Design Thinking

Para o sucesso de uma abordagem como o Design Thinking, sua aplicação deve partir de alguns pilares como:

  • A inspiração: está presente desde o início, quando há a necessidade de reunir material para se extrair a ideia inicial;
  • A empatia: envolve o esforço que cada um faz para enxergar uma questão sob diferentes pontos de vista; o caráter multidisciplinar das equipes de trabalho vem reforçar esse aspecto no andamento do trabalho;
  • A criatividade: a liberdade para pensar as soluções tem o claro intuito de estimular a criatividade, fazendo com que o maior número de conexões sejam estabelecidos enquanto se pensa em uma solução para determinado problema;
  • A experimentação: embora o erro seja algo indesejado, é da natureza do Design Thinking aceitá-lo, principalmente como uma oportunidade de aprendizado.

As etapas do Design Thinking

Embora não seja uma metodologia com fórmulas prontas e rígidas, há um roteiro básico para a abordagem de Design Thinking, composto por etapas, como veremos a seguir.

#1. Imersão

Como o próprio nome sugere, essa é a etapa inicial em que as pessoas envolvidas farão um mergulho no conjunto de informações disponíveis ou a pesquisar, com o objetivo de identificar os problemas a serem solucionados.

Assim, é comum nessa etapa que se recorra a métodos como a análise SWOT, em que se avaliam as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças que caracterizam o cenário atual da empresa.

Também nessa etapa procura-se delimitar o problema e o objetivo do projeto, além de a equipe já partir para um trabalho de campo para colher informações mais detalhadas.

#2. Análise e síntese

Todo o material levantado e colhido na primeira etapa deve agora passar por uma análise.

As muitas ideias geradas serão classificadas e agrupadas por afinidades e a equipe multidisciplinar deve agora começar a estabelecer consensos até se chegar a um entendimento comum sobre qual será a linha de trabalho a se adotar para a próxima etapa.

#3. Ideação

Uma vez eleito o problema a ser atacado e a linha de trabalho a ser adotada, a equipe parte nessa etapa para o desenho da solução.

Nesse momento, deve haver total liberdade para que ideias criativas sejam expostas, sem qualquer tipo de pré-julgamento.

#4. Prototipação

Como resultado das ideias expostas na etapa anterior, deve surgir um protótipo, isto é, uma versão simplificada da solução, conhecida como MVP (algo como produto mínimo viável).

Esse protótipo deve então ser submetido a uma validação detalhada, identificando o que funciona e o que não funciona.

#5. Implementação final

Assim que a etapa de prototipação for concluída com sucesso, pode-se partir para a implementação final.

O MVP ganhará então sua forma completa a ser tornada disponível aos clientes.

Finalizado o projeto, seus erros, acertos e aprendizado se transformarão em material que se juntará aos já existentes para que uma nova imersão seja feita e dê início a um novo projeto de Design Thinking, caracterizando um ciclo de melhoria contínua.

Adotando o Design Thinking

Por não ser uma metodologia rígida, Design Thinking pode ser adaptado à realidade e à cultura de cada empresa.

Existem casos, por exemplo, em que o MVP, isto é, o protótipo a ser testado e validado, é entregue ao próprio consumidor final. Em outras empresas, isso pode ser absolutamente impensável.

Assim, cabe ao gestor definir em que condições o Design Thinking será aplicado na sua empresa.

Entretanto, o que não se pode deixar de lado na adoção do Design Thinking é a observância dos seus pilares fundamentais, esses sim essenciais para que a abordagem funcione adequadamente.

Ferramentas úteis em Design Thinking

Assim como cabe ao gestor modelar as etapas do Design Thinking de acordo com a cultura da empresa, também a escolha das ferramentas a serem utilizadas fica a seu critério.

De qualquer forma, até como sugestão, segue uma relação de ferramentas que podem ser úteis nas diferentes etapas do processo.

Brainstorming

A conhecida reunião voltada para a sugestão de ideias deve ser feita de forma bastante livre.

O momento para avaliação e julgamento das ideias é outro. Aqui, todos devem ser livres para apresentar quaisquer sugestões relacionadas ao objeto da discussão.

Cocriação

Às vezes, pode ocorrer de a equipe de projeto contar com a participação do próprio cliente na etapa de ideação ou de prototipação da solução.

Assim, a solução já nasce muito mais próxima das expectativas do cliente, eliminando possíveis idas e vindas durante a prototipação.

Gamificação

A gamificação consiste em dar a uma tarefa o caráter de um jogo, tornando sua execução mais prazerosa e mais eficiente. É aplicável a qualquer etapa do processo.

Mapa da empatia

O Mapa da Empatia é uma forma de reunir e classificar as informações colhidas a partir de entrevistas com clientes, organizando todo o conteúdo de forma que seja possível identificar:

  • O que o cliente fala;
  • O que o cliente ouve;
  • O que o cliente vê;
  • O que o cliente sente.

Pesquisa desk

A pesquisa desk é uma forma de organizar as informações colhidas na fase de imersão, agrupando-as por tema, em que cada tema constitui uma árvore; informações complementares sobre um determinado tema vão constituindo ramificações da árvore.

World café

É uma técnica que consiste em formar grupos heterogêneos em sua formação para a discussão de um determinado tema. De tempos em tempos, uma pessoa do grupo é substituída por outra, mas a discussão do assunto prossegue.

SAP e Design Thinking

De acordo com sua proposta de incorporar tecnologias emergentes às suas soluções empresariais, a SAP também vem assimilando técnicas e abordagens inovadoras, como é o caso do Design Thinking.

O SAP Leonardo é a plataforma desenvolvida pela SAP para concentrar tecnologias inteligentes (cloud computing, blockchain, IoT e machine learning), permitindo o desenvolvimento de inovações que possam interagir com o dia a dia da empresa.

Pois bem, para tornar possível o desenvolvimento de soluções inovadoras a partir das tecnologias inteligentes disponíveis no SAP Leonardo, a SAP implementou uma abordagem baseada em design thinking.

Com essa abordagem de 4 etapas, a SAP assegura a entrega, em um prazo de 8 a 10 semanas, de um protótipo funcional e de um plano de implementação da solução desenvolvida.

As 4 etapas da abordagem SAP são:

  • Explorar: em um workshop gratuito de um dia, especialistas da SAP fazem um estudo da empresa, identificando oportunidades de inovação;
  • Descobrir: nessa etapa, os especialistas da SAP entrevistam envolvidos e interessados, aprofundando o entendimento do problema a ser resolvido;
  • Projetar e prototipar: utilizando tecnologias recentes, a equipe SAP desenvolve um protótipo, buscando sempre a sua validação junto à empresa;
  • Entregar: o protótipo funcional é entregue validado no ambiente SAP Cloud Platform; também são entregues um roadmap para implantação da solução e uma estratégia de transformação de TI; opcionalmente, a SAP pode também cuidar da implantação do protótipo.

Conclusão

Vivemos uma época em que se fala muito em inovação. Porém, de forma contraditória, a pressão pela entrega de resultados é tanta que profissionais brilhantes são levados ao caminho das soluções óbvias e seguras, em detrimento da busca pela inovação.

Sem dúvida, Design Thinking pode ser a abordagem que faltava para que as empresas e profissionais voltem a investir na criatividade como forma eficiente de resolver problemas.

Com o aumento do interesse pelo Design Thinking, surgiram diversos cursos voltados para o aprendizado de conceitos e técnicas de aplicação. Também há literatura a respeito do tema.

Enfim, o design thinking pode ser uma ótima ferramenta para um profissional se diferenciar no mercado.

Design Thinking: Uma abordagem criativa para solução de problemas
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